Mãe suficientemente boa: o que é e porque devemos ser

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Claro que queremos o melhor para nossos filhos! Sempre! E muitas vezes, como mães, queremos ser a “super” – SUPER MÃE e não falhar para satisfazer todos os anseios dos filhos! Mas, ser mãe suficientemente boa não seria suficiente?

Até extrapolamos nisto: queremos ser super mulher, super esposa e super amiga, além da SUPER MÃE.

E o que acontece? Vivemos numa tensão constante e num processo de culpa e cobrança que não tem fim! Mas, concordam que seria muito mais fácil se reconhecêssemos nossas limitações e aceitássemos o fato de que nossos filhos precisam se frustrar, se decepcionar, se machucar, viver e crescer?

No 1º Workshop ABC do lanche criativo a Mônica Pessanha, psicoterapeuta de crianças e adolescentes, falou sobre o termo “suficientemente boa” e este termo vive soando nos meus ouvidos quando tento fazer “demais”, e hoje tem um texto lindo dela sobre isto! Leiam e acalmem seus corações!

SEJAMOS SUFICIENTEMENTE BOAS! SÓ O SUFICIENTE!

A maternidade é um desafio e uma pressão muito grande, principalmente, se lembrarmos que o papel da mãe é fundamental no início da vida das crianças, porque o tipo de cuidados desta fase, moldará o que virá adiante, então, ajudar as mães a desenvolver um equilíbrio em sua vida depois da chegada dos filhos.

É importante encarar este desafio com inteligência, devoção e todo amor do mundo, mas, ao mesmo tempo, é importante ter em mente que se algo não sair perfeito como desejou ou idealizou, NÃO TEM PROBLEMA!

Ser PACIENTE, ter COMPAIXÃO e COMPREENSÃO de si mesmo é fundamental!

#1 A “mãe” que as mídias impõem

maternidade suficientemente boa

Assistimos propagandas, ouvimos comerciais, lemos reportagens, vemos fotos de artistas, e isto torna o processo materno um pouco mais difícil: as mídias sociais passam a falsa impressão de que estas mães são perfeitas!

Se somarmos a carreira, a falta de ajuda de um parceiro, um filho com problemas, este fardo aumenta ainda mais, pois mesmo cientes de que estas “mães” não são reais, muitas levantam todos os dias e vestem uma capa de “supermães”.

Foi Donald Winnicott quem cunhou o termo “suficientemente boa” para demonstrar que pode existir um lado equilibrado da maternidade afirmando que as mães devem ser “suficientemente boas”.

Para Winnicott a mãe suficientemente boa se preocupa com o fato de ser mãe, presta atenção no seu filho, participa da vida dele e oferece cuidado físico, emocional e segurança, e quando as descreve desta forma, ele o faz com muita admiração e respeito.

E esta mesma mãe quando ela falhar (porque todas vão falhar em algum momento), tenta novamente e não encara isto como o fim do mundo porque ela sabe que é um ser humano, um ser suficientemente bom e tridimensional. E o que é ser uma mãe tridimensional?

#2 A mãe tridimensional

como ser uma mãe sem culpas

Este misto de sentimentos que as mães carregam é que as torna um ser tridimensional.

É uma mãe sob pressão e tensão, com sentimentos mistos sobre como ser mãe, suas culpas e satisfações, sendo altruísta e egoísta.

Ela é capaz de se dedicar totalmente, mas ela também é propensa a ressentimentos: frustrações, depressões, cansaços e alteração de temperamento com atos impulsivos.

O grande problema é que depois disto, ela se sente culpada. Ela não é perfeita, não é “super humano” e isto a torna real! Vejam só: ela é de carne e osso. É muito importante que cada mãe tenha expectativas reais dela mesma e de seus próprios limites!

Claro que não há mal algum tentar superá-los, mas estar ciente de até que ponto pode chegar, também é aconselhável. Veja um exemplo: uma casa limpa é importante, mas não tão importante quanto 20 minutos de brincadeiras com o filho. Entende?

Ser mãe suficientemente boa implica reconhecer e trabalhar com expectativas reais.

Aceitar e entender a realidade pode promover uma mudança interior e emocional muito grande, pois se as vidas das mães fossem repletas de compaixão, paciência e compreensão, a carga emocional seria mais leve, e isto seria bom para todos!

#3 A mãe suficientemente boa

porque ser uma mãe suficientemente boa

Ser uma mãe suficientemente boa é um processo que deve acontecer ao longo do tempo!

Enquanto bebês, os filhos precisam que as mães estejam disponíveis constantemente e respondendo aos seus chamados imediatamente: quando choram, são alimentadas, higienizadas, aconchegadas, ou o que for preciso para o seu bem estar.

Entenda que estes atos passam segurança às crianças.

Demonstram que estão sendo cuidadas, mas este nível de atenção não pode (nem deve) ser levado para sempre, e aí mora a dificuldade de algumas mães: o medo que eles cresçam, que atravessem as ruas sozinhos, que decidam sobre suas roupas ou que escolham o que comer, e começa a sensação de elas estão falhando.

Aí começam a exigir e frustrar demais as crianças, afinal, elas falam “nãos” e isto frusta, mas a mãe suficientemente sabe que precisa satisfazer emocionalmente seus filhos (brincar, demonstrar amor, dar carinho, suprir as necessidades que eles ainda não sabem satisfazer sozinhos, etc.) e não estar de prontidão todas as vezes que eles chamarem.

Falhar de maneira tolerável ajuda a criança a entender que vive num mundo imperfeito.

Quando uma mãe consegue se construir como “mãe suficientemente boa”, ela contribui para que o mundo tenha pessoas mais fortes e equilibradas, e cidadãos que poderão contribuir muito mais para a sociedade, pois serão adultos capazes de enfrentar o mundo e não desistir diante do desafios que enfrentarem.

Pense nisto e seja uma mãe suficientemente boa. Só o suficiente!

 

Monica Pessanha, psicopedagoga e psicanalista infantil e de adolescentes, atua há mais de 10 anos atendendo crianças, jovens e também pais e famílias em consultório, clínicas e escolas. Além disso, a profissional também desenvolve um projeto de interação entre mães e filhos, chamado Brincadeiras Afetivas. É palestrante sobre temas como as dificuldades vividas pela família e a escola. Ainda é escritora e colabora do blog Cheguei ao Mundo e do site Família.

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